O longa 2073 se posiciona entre o documentário e o thriller, mas, na maior parte do tempo, adota uma linguagem documental, reservando cerca de 10% do tempo para cenas de suspense. Na trama fictícia, conhecemos Ghost, personagem vivida por Samantha Morton, e outros sobreviventes que habitam um shopping abandonado em um futuro marcado pela degradação social e controle opressivo. Essas sequências revelam um mundo distópico repleto de vigilância massiva, desigualdades sociais acentuadas e movimentos de resistência, configurando um ambiente visualmente forte e desconfortável.
Além das imagens futuristas, o filme intercala registros atuais e reportagens, buscando relacionar acontecimentos presentes com uma visão alarmante do que virá. Essa abordagem evidencia em grande parte do filme uma série de dados sobre concentração de riqueza, exploração da classe trabalhadora e o avanço da tecnologia no monitoramento das pessoas, porém sem apontar caminhos para reverter esse cenário. Esse ritmo intenso no material documental gera uma sensação de sobrecarga que compromete o ritmo narrativo.
Projetado para alertar sobre os perigos já visíveis no mundo real, 2073 não oferece planos nem sugestões para impedir a construção desse futuro sombrio, reforçando um tom mais de advertência do que de esperança. A crítica destaca que o filme parece dividido entre dois projetos distintos, o ficcional e o documental, com dificuldades para consolidar uma narrativa integrada e fluida. O ambiente retratado para 2073 é hostil, com personagens que vivem com medo constante de um Estado autoritário e precisam recorrer à coleta ilegal de recursos para garantir sua sobrevivência.
Embora o longa traga imagens pós-apocalípticas impressionantes, que se destacam por sua força visual, a fragmentação e a falta de aprofundamento na reconstrução ou superação da crise criam um produto final desafiador para o espectador. A obra toca em temas contemporâneos como o colapso social, a intensificação do controle estatal por meio da inteligência artificial e o agravamento das desigualdades, apresentando um retrato que lembra a série de filmes Zeitgeist, mas sem trazer uma saída real. Para quem já está familiarizado com as problemáticas descritas, assistir 2073 pode causar frustração, já que o enredo não explora possíveis renascimentos ou soluções.
O título está disponível para streaming na plataforma Max, podendo ser acessado por aqueles interessados em refletir sobre o peso do controle tecnológico e das crises sociais que tomam o centro do debate contemporâneo. Segundo o site oficial da Warner, o filme reflete a inquietação sobre o papel da inteligência artificial no futuro da humanidade, representando um convite para repensar o presente antes que seja tarde demais.









