Em uma produção recente da Netflix, é apresentada a trajetória de Samuel Rappylee Bateman, ex-líder da seita Fundamentalist Church of Jesus Christ of Latter-Day Saints (FLDS). Bateman ganhou notoriedade após ter sido condenado a 50 anos de prisão, em 2024, por abusos sexuais cometidos contra menores sob seu controle.
Originário de Colorado City, Arizona, uma localidade vizinha à fronteira com Utah, ele assumiu o título de profeta em 2019, alegando receber instruções divinas que, entre outras coisas, justificavam seu casamento com a própria filha. Naquele momento, seu grupo contava com cerca de 50 seguidores e 22 esposas, das quais 10 eram menores de idade.
Bateman abandonou sua antiga carreira para se dedicar integralmente à liderança da seita, financiando uma vida luxuosa com o dinheiro dos fiéis e adquirindo veículos de alto padrão, como Bentleys. A prisão aconteceu em agosto de 2022, em Flagstaff, quando ele foi capturado transportando várias meninas menores em seu automóvel.
No mês seguinte, autoridades federais vasculharam sua residência, libertando nove meninas que foram colocadas sob custódia do Departamento de Segurança Pública do Arizona. Ele respondeu a mais de 50 acusações criminais, incluindo o transporte de menores para exploração sexual. Também sete pessoas do seu círculo próximo foram denunciadas pela Justiça Federal.
Em abril de 2024, Bateman fechou um acordo de colaboração premiada que culminou em sua condenação por crimes como conspiração para o transporte de menores com fins sexuais e sequestro. A juíza federal Susan Brnovich descreveu os atos do líder como um sistema de escravidão sexual, comparando-o ao perfil de um traficante.
A origem do movimento FLDS remonta a uma cisão da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias após o fim da poligamia, em 1890. Esse grupo estabeleceu-se em localidades que formam a região conhecida como Short Creek, entre Arizona e Utah. O antecessor de Bateman, Warren Jeffs, também foi condenado à prisão perpétua por abusos sexuais contra menores, tornando-se uma figura nacionalmente conhecida.
Segundo o Southern Poverty Law Center, a FLDS mantém posicionamentos abertamente discriminatórios contra pessoas negras e a comunidade LGBTQIA+, chegando a associar o casamento homoafetivo a crimes graves. O documentário Trust Me: The False Prophet, disponível na Netflix, acompanha a investigação liderada por Christine Marie, especialista em cultos, e Tolga Katas, videomaker, que conseguiram imagens inéditas da rotina do líder em Short Creek.
Autorada pela diretora Rachel Dretzin, a minissérie é composta por quatro episódios que revelam o percurso desde o surgimento de Bateman como figura religiosa até sua detenção e condenação.









