No evento Produced By promovido pela Producers Guild of America, Michael De Luca, CEO da Warner Bros. Pictures, destacou uma preocupação crescente sobre os cortes nos investimentos dedicados ao desenvolvimento de roteiros originais. Segundo ele, a diminuição desses recursos pode comprometer a continuidade da produção de filmes autorais, trazendo riscos à vitalidade criativa da indústria.
O executivo comparou o atual cenário com a efervescência do cinema independente dos anos 1980, época marcada pelo surgimento de novos talentos e pela democratização do acesso proporcionada pelo VHS. De Luca enfatizou que o êxito na renovação artística depende diretamente do incentivo a esses novos criadores, algo que está ameaçado por decisões recentes das grandes empresas do setor.
Apesar da consolidação de franquias populares como a do Homem-Aranha, a escassez de investimentos em material original tende a gerar um ambiente de estagnação criativa. Ele alertou que o modelo baseado apenas em propriedades intelectuais já estabelecidas provoca um ciclo repetitivo, que pode levar estúdios a se tornarem “máquinas de reciclagem” de histórias antigas.
Nos últimos anos, companhias como Netflix e Apple TV+ fizeram reduções significativas em seus orçamentos para projetos de risco e desenvolvimento, impactando diretamente a descoberta de novos nomes, que muitas vezes começam nas plataformas digitais, semelhantes aos realizadores independentes das décadas anteriores.
De Luca ressaltou que o chamado IP (propriedade intelectual) é, na essência, talento, e que a carência de investimento nessa área não significa apenas menos produções medianas, mas a perda da oportunidade de criar franquias futuras que sustentem o mercado. Ele reforçou que o foco deve ser o apoio contínuo à inovação autoral, que atrai públicos e investidores a longo prazo.
Esse alerta representa um contraponto importante em meio à pressão constante dos acionistas, que privilegiam resultados imediatos em detrimento da sustentabilidade criativa. Sem reposição de talentos promissores, Hollywood corre o risco de repetir o erro que tornou o desenvolvimento original um terreno esquecido no passado, com consequências que podem se estender até 2030 e além.









