A emissora britânica optou por centralizar sua transmissão da Copa do Mundo em um estúdio localizado em Salford, região metropolitana de Manchester, evitando montar sua operação dentro do país sede do torneio. Este estúdio, instalado no MediaCity dentro do complexo dock10 — um dos maiores da Europa — traz uma inovação: não utiliza a tradicional tela verde (chroma key). Essa estrutura permite que os apresentadores usem roupas verdes sem que isso interfira nas imagens, já que a ambientação é feita por uma enorme tela LED curva, que simula os cenários das cidades-sede com detalhes que acompanham o clima e o horário local.
Para aprimorar a experiência visual, a tela transmite imagens realistas que podem transportar o público para locais como o porto de Nova York ou o rio Charles, em Boston, criando uma sensação de imersão. Além disso, essa iniciativa é resultado de investimentos da BBC para modernizar suas instalações técnicas visando coberturas esportivas prolongadas, como o tradicional programa Match of the Day. Essa escolha gerou debates acalorados, principalmente porque algumas críticas apontam que a ausência física da equipe no país anfitrião prejudica o dinamismo e a presença no evento.
Veículos como o Daily Telegraph e a GB News reprovaram a estratégia, afirmando que a economia decorrente pode afetar a competitividade da cobertura. Personalidades como Gary Lineker, que recentemente migrou para a Netflix, chegaram a manifestar preferência por gravar em cidades estrangeiras, como Nova York, em detrimento da cobertura feita em Salford. Em contrapartida, especialistas e figuras internas da própria BBC, incluindo o diretor de esportes Alex Kay-Jelski, destacam que embora o estúdio esteja no Reino Unido, muitos talentos mantém atuação in loco, com nomes como Alan Shearer e Danny Murphy presentes nas partidas.
Alex Kay-Jelski enfatiza que a decisão tem forte base econômica e ambiental, evitando despesas elevadas para montar infraestrutura estrangeira. Para evidenciar, Roger Mosey, ex-chefe de esportes da BBC, relembrou que apenas em 2008 foram enviados 437 profissionais para os Jogos Olímpicos de Pequim, destacando que a maior economia está na redução de equipes técnicas itinerantes, não apenas no corpo de apresentadores. A BBC, cuja receita de quase 6 bilhões de libras anuais depende em 60% da taxa de licença, enfrenta um desafio adicional: um corte previsto de 10% no orçamento no próximo acordo com o governo, implicando a redução de cerca de 2.000 empregos.
Nesta cobertura, Gabby Logan marca história ao ser a primeira mulher a apresentar uma final de Copa do Mundo na TV britânica, defendendo a permanência no estúdio de Salford por considerar a escolha economicamente sensível e sustentável. Enquanto isso, Matt Brittin, recém-chegado da Google para dirigir a BBC, lidera o processo de adaptação aos novos modelos financeiros. Ainda que haja dúvidas sobre o impacto da distância física na energia da transmissão, a emissora reforça que sua tecnologia e o aproveitamento mais eficiente dos recursos garantem uma cobertura à altura do evento.









