A quantidade exata de dióxido de carbono emitida durante o streaming de vídeos tem sido alvo de revisões importantes nos últimos anos. Estudos revisados por especialistas indicam que uma hora assistindo a conteúdos online gera, em média, cerca de 36 gramas de CO2 equivalente. Esse número é muito menor do que as primeiras avaliações, que erraram gravemente ao converter dados e superestimaram o consumo de banda.
Em relatórios iniciais, como o divulgado pelo Shift Project em 2019, as emissões eram calculadas em torno de 3,2 kg de CO2 por hora, valor hoje considerado exagerado. Na sequência, o mesmo grupo revisou seu estudo em 2020, ajustando para aproximadamente 0,4 kg de CO2 por hora, embora essa retificação tenha recebido pouca atenção na imprensa.
A Agência Internacional de Energia (AIE) oferece a estimativa mais aceita atualmente, confirmando que a emissão real por sessão de uma hora é bem inferior ao valor corrigido pelo Shift Project. Dados históricos também revelam que, há quase uma década, em 2011, nos Estados Unidos, a pegada era significativamente maior, com cerca de 420 gramas de CO2 por hora, segundo estudo da Lawrence Berkeley National Laboratory, reflexo de uma menor eficiência energética das redes e dispositivos naquela época.
Interessantemente, mais da metade da energia consumida em streaming é utilizada para transmitir os dados pela rede, e não para o funcionamento dos data centers. Além disso, os equipamentos usados pelos consumidores, como televisores e dispositivos conectados, são responsáveis por uma parcela maior da emissão do que os próprios centros de processamento. A Netflix, por exemplo, destaca em seus relatórios ambientais que cerca de 89% da pegada associada ao streaming está vinculada a esses aparelhos finais e às redes domésticas.
Televisores respondem por quase metade das emissões totais, enquanto os dispositivos de infraestrutura doméstica somam um pouco menos que 40%. Já os data centers representam apenas uma fatia pequena, próxima a 4% do total, e a infraestrutura da rede entre esses centros e os usuários, cerca de 7%. Substituir uma TV antiga, como um modelo plasma, por uma tela LED moderna, pode diminuir significativamente o impacto ambiental na comparação com melhorias feitas nos data centers.
Vale ainda lembrar que, na maioria dos casos, o streaming apresenta um consumo energético melhor do que assistir a DVDs físicos, excetuando situações onde há deslocamento a locais de locação a pé ou bicicleta. No ano de 2024, a Netflix divulgou que suas emissões anuais chegaram a aproximadamente 5,17 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
É importante colocar o streaming em contexto: ele corresponde a cerca de 80% de todo o tráfego online e integra o setor de tecnologias da informação e comunicação, que é responsável por aproximadamente 1,9% das emissões globais de gases que contribuem para o efeito estufa. O consumo energético dos data centers está projetado para alcançar 945 terawatts-hora até 2030, representando cerca de 3% do total mundial, mas ganhos relevantes em eficiência já foram observados desde 2011.
Por fim, o erro inicial do Shift Project, que levou a uma superestimação da pegada de carbono do streaming, incluiu problemas como dupla contabilização do impacto e uso de dados desatualizados sobre a matriz energética. De toda forma, a diferença incremental no consumo de energia para uma hora extra de streaming é pequena, principalmente porque a maior parte dos equipamentos do usuário já permanece ligada durante esse tempo.









