Na última sexta-feira, Donald Trump anunciou por meio da rede social Truth Social que o pacto entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã foi finalizado, sinalizando o encerramento do conflito entre as duas nações. A primeira divulgação desse acordo veio do primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, responsável por mediar as negociações. Com isso, o bloqueio naval americano sobre os portos iranianos foi oficialmente suspenso.
O tratado prevê a liberação total para circulação no Estreito de Hormuz, sem a imposição de taxas fixas aos navios, o que deve aliviar a situação tensa que persistia na região. Conforme declaração do vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, as hostilidades foram interrompidas em todos os cenários, inclusive no Líbano. A mídia estatal iraniana Mehr informou que um memorando de entendimento a ser formalizado em Genebra estabelecerá que a administração do estreito ficará sob um formato de gestão dominado pelo Irã.
Trump alertou que, se o Irã não avançar em um acordo sobre o programa nuclear, os Estados Unidos poderão retomar ações militares ou assumir um papel estratégico na área em troca de uma participação equivalente a 20% das receitas regionais. Enquanto isso, o senador republicano Lindsey Graham expressou dúvidas diante das discrepâncias apresentadas pelas equipes negociadoras dos dois países.
A comunidade internacional respondeu de forma positiva. Autoridades da Europa, Japão e Austrália celebraram o desenlace, e António Guterres, secretário-geral da ONU, qualificou o acordo como um avanço essencial. No mercado, as bolsas de valores de Tóquio e Seul tiveram alta superior a 5%, enquanto os preços do petróleo caíram mais de três dólares por barril.
Israel permaneceu em silêncio quanto ao tratado e não participou das negociações, apesar do recente ataque no Líbano, condenado por ambos, Irã e Trump. Este acordo, anunciado pouco mais de três meses depois do início dos ataques contra o Irã, recebeu o apoio de países europeus que manifestaram intenção de suspender sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Os Estados Unidos liberaram inicialmente 12 bilhões de dólares em ativos iranianos congelados antes do início das negociações formais, enquanto o memorando prevê a liberação total de 24 bilhões ao longo de um período de 60 dias. O Japão ressaltou suas expectativas quanto à execução estável do acordo e à reabertura efetiva do Estreito de Hormuz, garantindo a livre circulação internacional.
Especialistas em energia indicam que a normalização da exportação de petróleo e gás poderá levar meses, devido à complexidade dos fatores logísticos e de segurança. Navios-tanque permanecem parados no Golfo Pérsico há mais de três meses em decorrência do bloqueio imposto pelo conflito. Além disso, o documento inclui o compromisso conjunto dos Estados Unidos, Irã e Agência Internacional de Energia Atômica para evitar que o Irã desenvolva armamento nuclear.









