Grace: Uma Oração pela Paz, dirigido por Gaylene Preston, é definido pela cineasta como um verdadeiro “poema visual” que acompanha a trajetória da artista Dame Robin White, de origem iwi Ngāti Awa. O projeto tomou forma a partir do encontro entre as duas em 2021, durante uma retrospectiva dedicada à pintora Rita Angus no museu Te Papa.
O filme nasceu das conversas informais, baseadas no método yarning, que ocorreram ao redor da mesa da cozinha de Robin White. Filmado com uma câmera Osmo Pocket 3, o documentário registra White em diferentes locações, incluindo Masterton, Fiji, Kiribati e Hiroshima. Apesar de uma lesão na cabeça sofrida por Preston enquanto o projeto se iniciava, a cineasta conseguiu trazer uma visão íntima do processo criativo da artista, revelando seus pensamentos e emoções enquanto desenvolve suas obras.
Gaylene Preston ressalta a importância de um filme que mescla momentos de leveza e emoções intensas, reforçando a ideia de que o diálogo deve seguir mesmo diante de divergências. O documentário evita a abordagem tradicional de entrevistas formais e recusas qualquer tom sensacionalista, focando nos temas presentes nas criações artísticas de Robin White, bem como na ligação entre arte e conversas necessárias para o bem-estar coletivo.
Este trabalho pode ser conferido pela plataforma RNZ. Além disso, Gaylene Preston, que estudou pintura na Escola de Arte Ilam em Christchurch e começou sua carreira atuando como assistente de biblioteca em hospital psiquiátrico, também empregou técnicas de arteterapia e dramaterapia antes de se tornar cineasta. Em 2023, sua contribuição foi oficialmente reconhecida com a concessão do Doutorado Honoris Causa em Letras pela Universidade de Canterbury.
A cineasta também valoriza o kōrero — a conversa — como uma ferramenta essencial para entender tanto questões sociais quanto artísticas. Este espírito comunicativo é reforçado pela relação gradual e cuidadosa que desenvolveu com Robin White para a realização do documentário. Vale destacar que sua filha, Chelsie Preston Crayford, também trabalha com cinema e lançou o filme autobiográfico Caterpillar. O filme de Preston pode ser contextualizado na cena cultural do país, onde espaços como o Embassy Theatre, em Wellington, mantêm uma programação regular da Film Society, um ponto de encontro para discussões de cinema ressaltadas pela diretora.









