O longa O Estranho se inspira em um caso verdadeiro que envolveu uma intensa investigação policial na Austrália, centrada na captura de um serial killer responsável pelo desaparecimento e assassinato de uma criança. A trama acompanha a operação que durou cerca de oito anos para que uma confissão fosse finalmente obtida contra Brett Peter Cowan, suspeito no caso real que marcou o país.
A história foca no personagem Henry Teague, vivido por Sean Harris, que é a representação do criminoso investigado. Joel Edgerton interpreta Mark, o oficial infiltrado que cria uma falsa quadrilha criminosa para conseguir extrair a verdade. Essa tática, além de legalmente aceita pela justiça australiana, foi fundamental para o desfecho da operação, que é retratada com fidelidade e detalhes no filme.
Conhecida pela jornalista Kate Kyriacou no livro The Sting, a operação sigilosa que serviu de base para o roteiro é retratada por Thomas M. Wright com uma direção que privilegia o suspense e uma atmosfera tensa constante. A narrativa intercala os momentos que Mark passa infiltrado com Henry e os esforços paralelos da equipe liderada pela detetive interpretada por Jada Alberts.
Além do aspecto investigativo, o filme aprofunda o lado psicológico dos personagens, sobretudo o desgaste interno de Mark ao manter sua identidade falsa e o convívio com um suspeito cuja personalidade ambígua transita entre o comum e o perturbador. A ambientação visual reforça esse contraste, com cenas escuras e opressivas se alternando às sequências mais frias e técnicas da polícia.
Ao estrear discretamente na Netflix, O Estranho não apenas entrega um suspense envolvente, mas também provoca uma reflexão sobre os impactos emocionais que casos desse tipo causam, evidenciando a união de roteiro, atuação e trilha sonora para manter o espectador imerso até o fim.








