A Paramount levou ao Cade o pedido para aprovar, sem restrições, a união com a Warner Bros. Discovery no mercado brasileiro. Enquanto isso, órgãos reguladores da Austrália e da China já deram sinal verde à operação, optando por não impor limitações ao acordo. A expectativa é que, caso a transação seja formalmente concluída, a nova companhia consolide a posse sobre diversos direitos importantes de transmissão esportiva no país, incluindo a Libertadores, a Copa Sul-Americana, a Champions League e o Campeonato Paulista.
O plano da companhia resultante inclui manter investimentos locais, com a manutenção das propriedades lineares da Warner destinadas à TV por assinatura, bem como do TNT Sports, que se destaca por sua expressiva atuação no ambiente digital, acumulando mais de 13 milhões de seguidores em seu canal oficial no YouTube. Segundo informações liberadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a aprovação para que a Paramount adquira a Warner por um valor estimado em US$ 110 bilhões foi confirmada sem que fossem impostas barreiras concorrenciais relevantes para os setores de streaming, televisão tradicional ou cinema.
A consolidação empresarial abrigará um vasto portfólio de canais e marcas de renome, como TNT, CBS, CNN, MTV, TCM, Showtime, Adult Swim, DC Studios, Paramount+, Nickelodeon, HBO/HBO Max, Comedy Central e Cartoon Network. Além disso, o acervo incluirá franquias e conteúdos icônicos de franquias culturais, como Star Trek, Gremlins, Beetlejuice, personagens da DC Comics, Tom & Jerry, Harry Potter, Cidadão Kane, Transformers, Um Lugar Silencioso, Looney Tunes, Invocação do Mal, Mortal Kombat, Game of Thrones, Dora, a Aventureira, Missão Impossível, O Senhor dos Anéis, Bob Esponja, Avatar: A Lenda de Aang e Tartarugas Ninja.
No cenário competitivo, a Netflix surpreendeu ao informar um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery, em uma negociação avaliada em cerca de US$ 83 bilhões, combinando dinheiro e ações. A Paramount Skydance questionou essa proposta, alegando favorecimento indevido à Netflix e sugerindo a formação de um comitê independente para analisar as ofertas disponíveis no mercado. A Skydance chegou a apresentar uma contraproposta superior, avaliando as ações acima de US$ 30 cada uma, entretanto, a Netflix optou por não igualar essa oferta.
A previsão inicial para o encerramento da fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery é o dia 15 de julho, embora essa data possa ser estendida até 30 de setembro, período no qual as empresas monitoram as pendências regulatórias em diversas regiões, incluindo o Reino Unido. Vale destacar que os acionistas de ambas as corporações já manifestaram apoio ao negócio, mas ainda aguardam análises e homologações oficiais.
Nos Estados Unidos, a Paramount requisitou à FCC a permissão para permitir investimento estrangeiro, pois a composição acionária da nova companhia terá participação internacional de até 49,5%. Por outro lado, a fusão enfrenta exame cauteloso no âmbito jurídico, como revelou o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, que desde março investiga possíveis impactos negativos na concorrência, na manutenção de empregos e nos preços ofertados.
O diretor jurídico da Paramount, Makan Delrahim, defendeu o acordo como um impulso competitivo necessário para o setor audiovisual global. Caso a fusão não se consolide até o final de setembro, a Warner Bros. Discovery deverá pagar a seus acionistas uma compensação trimestral de US$ 0,25 por ação, enquanto a Paramount estará sujeita a uma multa de US$ 7 bilhões se a operação for interrompida por barreiras regulatórias. O período para comentários públicos sobre o acordo no Reino Unido foi encerrado recentemente, marcando mais uma etapa do processo.









