Em 2024, a conferência AI on the Lot teve um aumento significativo em seu público, reunindo cerca de 2.500 pessoas ao longo de dois dias, quando comparada às 600 participantes de 2023, que ocorreram em evento de duração reduzida. O encontro aconteceu no complexo da Amazon MGM Studios em Culver City, evento largamente apoiado pela Amazon, que também integrou sua plataforma Prime Video e AWS.
A inteligência artificial foi apresentada como um recurso capaz de revolucionar a maneira de produzir conteúdos audiovisuais em Los Angeles, prometendo ultrapassar os métodos tradicionais vigentes nos grandes estúdios. Painéis de debate destacaram temas cruciais, como o impacto da IA nas marcas, a importância da interface para o trabalho criativo e a supervisão que pode garantir que novos lançamentos sejam autênticos e relevantes.
No âmbito contratual, acordos renovados entre a Writers Guild of America (WGA) e o Screen Actors Guild‐American Federation of Television and Radio Artists (SAG-AFTRA) com estúdios e plataformas de streaming favoreceram uma visão mais equilibrada e cuidadosa sobre a adoção da tecnologia no setor. Por outro lado, o encerramento do projeto Sora 2 pela OpenAI em dezembro de 2023 gerou preocupações sobre direitos autorais, uma vez que essa ferramenta geradora de vídeos poderia afetar diretamente os criadores de conteúdo.
Um exemplo emblemático dessa tensão foi o cancelamento da série animada Punky Duck, idealizada pelo criador Jorge R. Gutierrez, após críticas relevantes da comunidade criativa que levantaram questões sobre o uso da IA em produções sujeitas a proteção legal. A decisão gerou um debate acirrado entre críticos e entusiastas da inteligência artificial no campo artístico.
Entre as opiniões expostas na conferência, o roteirista e diretor Paul Schrader destacou que protagonistas concebidos por IA podem dominar o mercado cinematográfico em breve. Ainda assim, muitos participantes, como Jon Erwin, enfatizaram a insubstituível contribuição humana, especialmente ao capturar atuações. Na palestra principal, Cheng reforçou que os humanos devem permanecer no comando criativo, utilizando a inteligência artificial apenas como um instrumento auxiliar.
Em termos legais, o debate focou na responsabilidade sobre conteúdos criados por IA diante da Seção 230 da Lei Federal de Telecomunicações dos Estados Unidos. Especialistas indicaram que essa proteção não deve ser estendida a produtos diretamente gerados por modelos de inteligência artificial, por sua influência ativa na produção final. Propostas legislativas recentes, como o No Fakes Act e o Take It Down Act, que contam com o apoio de sindicatos como o SAG-AFTRA, visam controlar a circulação de vídeos manipulados por essas tecnologias.
Há um consenso crescente no Congresso norte-americano para revisar a aplicabilidade da Seção 230, a qual atualmente protege empresas de tecnologia em larga escala. Profissionais do direito defendem que plataformas que viabilizam a criação por IA não devem desfrutar de imunidade legal sobre o conteúdo que facilitam. Além disso, o custo alto da computação para inteligência artificial, por exemplo, uma única consulta ao ChatGPT pode chegar a US$ 35 mil em energia computacional, tem sido um ponto frequente de preocupação.
Representantes da indústria relataram que o emprego dessas ferramentas ainda não tem trazido economias significativas de tempo ou recursos na produção. Em comparação com a transição do filme para o digital, a inteligência artificial apresenta desafios semelhantes, como a replicação de formatos menos qualificados e elevados custos para adoção total no setor audiovisual.







