Ao longo dos quatro episódios do documentário Hulk Hogan: Verdadeiro Americano, disponível na Netflix, a amizade entre Donald Trump e Hulk Hogan aparece de modo marcante. Antes da convenção nacional do Partido Republicano em 2024, quando Hogan manifestou apoio público ao ex-presidente, os dois já mantinham uma relação próxima, evidenciada em diversas cenas, incluindo uma entrevista gravada no Salão Oval da Casa Branca, exibida na segunda parte da série.
Foi o próprio Hogan quem solicitou a participação de Trump no projeto póstumo, lançado após sua morte em 2023, aos 71 anos. No capítulo final, chega a ser revelado um recado vocal deixado por Trump em 2024, no qual ele agradece ao lutador e o chama de vencedor, enquanto Hogan compartilha sua história de votações em Trump, inicialmente discretas nas eleições de 2016 e 2020, mas se tornando públicas após o ataque sofrido pelo ex-presidente no ano seguinte.
Trump destaca no documentário que tanto ele quanto Hogan são vistos como figuras controversas, ainda que tenha dito ter se tornado menos polêmico com o passar do tempo. Entretanto, recusou-se a fazer o gesto emblemático do lutador, o dedo em riste, durante as filmagens. Essa relação entre ambos transcende apenas Hogan, pois Trump mantém vínculos antigos com o universo da luta livre, incluindo sua introdução ao WWE Hall da Fama e uma participação notória no WrestleMania 23, em 2007, enfrentando Vince McMahon, então presidente da WWE.
Também se destaca o envolvimento da esposa de McMahon, Linda, que integrou o governo Trump em cargos importantes, como Secretaria de Educação e liderança da Administração de Pequenas Empresas. Até mesmo planos para o aniversário de 80 anos do ex-presidente, em 14 de junho, incluem realizar uma luta do UFC nos jardins da Casa Branca, aproximando ainda mais o mundo do entretenimento esportivo e a política.
O documentário não omite os altos e baixos enfrentados por Hulk Hogan, revelando momentos difíceis como as lesões que fragilizaram sua trajetória e o escândalo de 2012, quando um vídeo privado vazado expôs opiniões racistas, levando à suspensão de sua participação na WWE e à rescisão de seu contrato. Contudo, venceu uma ação judicial contra o site Gawker, que divulgou o conteúdo, conquistando uma grande indenização. Em 2018, foi reintegrado à WWE, embora essa volta tenha causado desconforto em alguns lutadores, especialmente Kofi Kingston, que questionou o comprometimento de Hogan com mudanças autênticas.
Na sua última aparição oficial na WWE, durante um evento em Los Angeles em 2025, Hogan foi alvo de vaias do público, sinalizando uma reação mista em relação ao seu legado. Essa dinâmica com Trump revela uma convergência de suas trajetórias no entretenimento da década de 1980 e ressalta a influência do lutador no cenário político, mencionado também pelo diretor da WWE, Paul Levesque, que sugeriu que Hogan teve impacto até eleitoral. Por fim, a série destaca a luta constante de Hogan para diferenciar seu eu real, Terry Bollea, da pessoa pública que construiu ao longo da vida.









